Nova presidente da Microsoft pode acabar de vez com o Xbox

O co-criador do primeiro Xbox, Seamus Blackley, fez declarações contundentes sobre o rumo da divisão de games. Para ele, a atual estratégia indica um possível encerramento gradual do console.

Em entrevista ao GamesBeat, Blackley afirmou que áreas fora do foco em inteligência artificial estariam perdendo prioridade. Nesse cenário, o Xbox seria um dos negócios impactados.

Segundo o designer, a nomeação de Asha Sharma para liderar a Microsoft Gaming não seria aleatória. Ele acredita que a escolha sinaliza uma mudança estrutural profunda.

Créditos: Divulgação / GamesBeat

Blackley comparou o momento a um processo de transição silenciosa. Para ele, a empresa não anuncia oficialmente, mas estaria preparando o terreno para encerrar a operação tradicional do console.

IA no centro da estratégia

O ex-executivo demonstrou estranheza pelo fato de Sharma não ter histórico ligado ao setor de jogos. Na visão dele, liderar uma marca criativa exige afinidade direta com a indústria.

Ele argumenta que colocar alguém sem trajetória gamer à frente do Xbox sugere outra prioridade. A inteligência artificial, hoje central na Microsoft, seria o verdadeiro foco corporativo.

Para Blackley, o avanço da IA muda a lógica interna das decisões. Executivos passariam a enxergar produtos de forma abstrata, priorizando tecnologia escalável em vez de experiências autorais.

Ele também comentou a aposentadoria de Phil Spencer, após quase quatro décadas na empresa. Na avaliação do fundador, Spencer tentava equilibrar interesses criativos e metas corporativas.

Risco calculado ou aposta perigosa?

Blackley avalia que a aposta pesada em IA envolve incertezas. Diferentemente disso, o mercado de jogos é consolidado e historicamente lucrativo.

Na leitura dele, direcionar recursos de um negócio estabelecido para sustentar uma tecnologia ainda em consolidação é uma decisão ousada. Ele admite não compreender totalmente a confiança da liderança.

Apesar das críticas, a nova gestão promete continuidade criativa e inovação. Resta saber se o Xbox passará por reinvenção estratégica ou se enfrentará, de fato, um desmonte progressivo.

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