História secreta do dominó nos deixou de cabelo em pé

Muito antes de se tornar passatempo popular, o dominó já circulava na Ásia medieval. Relatos apontam que o jogo surgiu na China, possivelmente no século XII, cercado por versões lendárias.

Uma tradição atribui a criação a um funcionário que teria apresentado as peças ao imperador Hui Tsung. Outra narrativa menciona o soldado Wang Ming, situando a invenção séculos antes.

Os primeiros conjuntos derivariam diretamente dos dados de seis faces. As peças representavam combinações possíveis entre dois dados, funcionando como um “jogo estático” de probabilidades.

Créditos: cottonbro studio/Pexels

Na China, o nome original era “quai”, termo associado a tabletes de osso. O material reforça a ligação simbólica e ritual que o objeto possuía naquele contexto cultural.

A transformação europeia e o nome curioso

O formato moderno ganhou força na Itália, especialmente em Veneza e Nápoles, no século XVIII. Foi ali que o conjunto de 28 peças, conhecido como duplo seis, se consolidou.

Curiosamente, o nome “dominó” não tem raiz oriental. A palavra deriva do latim “domino gratias”, expressão usada por religiosos europeus ao vencer partidas.

Outra hipótese liga o termo a um capuz preto e branco chamado domino. A semelhança cromática com as peças de ébano e marfim teria influenciado a denominação.

De objeto exótico a metáfora política

Com o avanço das rotas marítimas, marinheiros e imigrantes levaram o jogo à América Latina e ao Caribe. Nessas regiões, a prática ganhou estilo mais ruidoso e competitivo.

Em alguns países caribenhos, as peças são chamadas de “cartas” e batidas com força na mesa. A provocação verbal entre jogadores tornou-se parte essencial da dinâmica.

O termo também extrapolou o universo lúdico e entrou na geopolítica. Durante a Guerra Fria, o presidente Dwight D. Eisenhower popularizou a “teoria do dominó”.

Segundo essa ideia, a queda de um país ao comunismo levaria outros na sequência. Até mesmo achados atribuídos à tumba de Tutancâmon alimentam debates sobre origens ainda mais antigas, embora contestados por historiadores.

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