O fim dos videogames? Outra mídia começa a tomar espaço
A indústria de videogames enfrenta um momento delicado no cenário global. O setor, que cresceu fortemente na pandemia, agora disputa cada minuto de atenção com novas plataformas digitais.
Ter uma extensa lista de títulos na Steam já não garante horas de jogatina. Muitos usuários preferem navegar pelo celular, consumindo conteúdos rápidos e altamente estimulantes.

Base de jogadores encolhe após a pandemia
Um relatório da consultoria Epyllion, assinado pelo analista Matthew Ball, aponta retração nos principais mercados globais. Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul estão entre os países avaliados.
Segundo o estudo, parte do avanço registrado durante a Covid-19 foi circunstancial. Com o fim das restrições, metade desses mercados viu cair o número de jogadores regulares.
Nos Estados Unidos, a participação da população que joga diminuiu alguns pontos percentuais. No Canadá, uma parcela relevante de adultos abandonou o hábito nos últimos anos.
Até mesmo regiões tradicionais em esports, como a Coreia do Sul, registraram recuo expressivo. Em mercados onde houve crescimento de público, o gasto médio permaneceu estagnado.
Monetização pressiona quem ficou
Com menos novos consumidores entrando no ecossistema, empresas como Electronic Arts e Sony intensificaram estratégias de monetização. O preço padrão de lançamentos subiu, e conteúdos adicionais tornaram-se mais frequentes.
Passes de batalha contínuos, microtransações e expansões fragmentadas tornaram-se comuns. Para parte do público, essa dinâmica reduz a satisfação e acelera o abandono.
A disputa pela dopamina digital
Enquanto isso, plataformas como TikTok e OnlyFans ampliaram drasticamente seu alcance. Aplicativos de inteligência artificial e apostas online também ganharam força.
Esses serviços oferecem estímulos imediatos e ciclos rápidos de recompensa. O público masculino entre 18 e 35 anos, tradicional no universo gamer, é o mesmo alvo dessas novas mídias.
O desafio não é apenas produzir bons jogos, mas competir em uma economia moldada por notificações constantes. Antes mesmo de ligar o console, muitos já foram capturados pela tela do smartphone.